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domingo, maio 04, 2008

Cúmplices pelo mundo (2)


Já falamos sobre nossos cúmplices pelo mundo e a cada dia descobrimos outros marginais espalhados pelo planeta. Dessa vez, localizamos mais um em Mission, Kansas: I Love a Mystery.

A livraria tem decoração vitoriana, com gárgulas na entrada da loja e esqueletos no café, e sofás confortáveis para descansar enquanto vasculha os mais de 20 mil livros usados disponíveis.

Inclua mais esse endereço no seu próximo tour literário:

I Love A Mystery
6114 Johnson Drive
Mission, KS, USA 66202

quarta-feira, setembro 05, 2007

Charlie Chan DVD Collection




Os fãs de Charlie Chan agora têm motivos de sobra para matar saudades do excêntrico detetive criado por Earl Derr Biggers: suas histórias poderão ser vistas na coleção de DVDs lançados pela Continental e disponíveis na LivrariadoCrime.

Para quem ainda não teve oportunidade de conhecê-lo, não perca essa chance.

Charlie Chan é um chinês baixo, gorducho e de ombros largos, ex-sargento-detetive da polícia de Honolulu.
Charlie Chan se considera um estudioso da natureza humana. Acha que o importante é conhecer o comportamento humano, e que esse é o caminho para descobrir os criminosos, chegando mesmo a duvidar da ciência como auxiliar da investigação. Apesar disso, é um especialista em impressões digitais.
Tem uma família numerosa de 11 filhos, que freqüentemente o ajuda a desvendar os crimes.

Charlie Chan usa e abusa de metáforas e provérbios chineses. Na maior parte das vezes ele não informa se está citando um provérbio ou se a frase é de sua autoria.

Pequena lista de provérbios chineses proferidos por Charlie Chan:
- Aquele que cavalga o tigre não pode apear-se.
- Água lodosa remexida imprudentemente torna-se ainda mais turva. Deixada em repouso, clareia por si.
- Está sempre mais escuro debaixo da lâmpada.
- Um homem prudente, sabendo que está em perigo, não pára para amarrar os sapatos no meio do caminho.
- Tartaruga que entra em casa pela retaguarda acaba por se instalar à cabeceira da mesa.
- A morte é o camelo preto que se ajoelha à porta de qualquer um, sem ser chamado.

Seleção de ”pérolas” de Charle Chan:
- As futilidades, às vezes, desabrocham num grande ramo cheio de sentido.
- Esta visita imprimirá uma marca deslumbrante no rolo da minha memória.
- As nossas provas são tão turvas como flores na água estagnada de um vaso.
- Os olhos mais brilhantes são às vezes cegos.
- Quanto mais forte é o trovão, mais fraca é a chuva.
- Navio com muitos pilotos nunca chega ao porto.
- Uma boa palavra rude fere como seis meses de frio.
- O hóspede que demora demais deteriora-se como o peixe passado.
- Uma longa viagem de alguns milhares de milhas começa sempre por um simples passo.
- Quando uma árvore cai a sombra desaparece.
- Quem corre com a consciência leve, redobra a velocidade.
- O tambor que produz mais ruído está cheio de vento.
- Mesmo um pêssego que cresce na sombra acaba por amadurecer.
- Rosas do próprio jardim nunca cheiram como as do jardim alheio.
- Suspeitar é barato, mas ter suspeita errada sai caro.
- O ovos não devem dançar com as pedras.
- Príncipes têm censores, pais têm filhos.

Charlie Chan é um personagem que se pode, no mínimo, considerar exótico: pelo local onde vive, pela família, pela linguagem e pelas atitudes.

Vale a pena conhecer.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Roubaram o Falcão Maltês! De novo?



O falcão é o mesmo. A cidade é a mesma. E quem levou a estatueta também é um mistério.

Dashiel Hammett escreveu o clássico romance em 1932. Uma das mais aclamadas obras da literatura noir ou hard-boiled americana. A trama toda gira em torno da estatueta de um falcão - peça extremamente valiosa. Sam Spade se envolve no jogo e acaba vendo seu sócio assassinado por causa do objeto. O livro está em 10 das 10 listas de melhores (ou mais importantes) obras da litertura policial de todos os tempos.

O Falcão Maltês revolucionou a história da literatura policial. Mudou a cara dos textos. Os detetives deixam de ser somente cerebrais, largam suas mansões e os mistério das classes mais abastadas e vão às ruas. São caras durões, valentes e mulherengos. E têm que ser assim já que estamos na depressão, um período entre guerras, barra pesada. E os detetives, os crimes e as cidades refletem este clima.

A obra foi levada ao cinema em 1941, por John Huston e transformou-se em obra-prima. Humphrey Bogart consagrou-se no papel de Sam Spade. Aliás, na minha opinião, o filme "Relíquia Macabra" é uma das melhores adaptações literárias para o cinema.

A questão é que uma réplica do Falcão Maltês acaba de ser surrupiada do centenário restaurante John's Grill. O restaurante, além de servir grelhados e saladas, abriga um museu dedicado à literatura de Hammett. A decoração do restaurante preserva
o clima da San Francisco dos anos 30-40, palco de grande parte da obra do autor.

O proprietário do restaurante, John Konstin, que várias vezes atendeu o próprio Dashiel Hammett, está indignado. "A estátua tem um significado histórico para o restaurante e para a cidade. As pessoas vêm do mundo inteiro para ver o passáro. E nós o queremos de volta." Está até oferecendo uma recompensa pelo falcão.

Palhaçada! Engraçado? Não para nosso amigo John.

A fonte: Los Angeles Times, 14 de fevereiro de 2007.

Abraços criminais,

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Georges Simenon: parabéns para você!



Se estivesse vivo Georges Simenon completaria hoje 104 anos.
Um dos mais prolíficos autores policiais (utilizou cerca de 20 pseudônimos), considerado um dos maiores escritores do século XX e criador de um dos mais famosos detetives da história, o Comissarie Jules Maigret.

Foram 75 novelas com o detetive, de 1931 - fazendo ressurgir o Roman Policier francês - até 1972. Fora centenas de outras obras, Maigrets e Não-Maigrets, como ele mesmo definia.

Jules Maigret, além do cachimbo e do chapéu, caracteriza-se por ser um detetive de abordagem humana. Apesar de não tolerar os crimes, muitas vezes se coloca no lugar dos criminosos, estudando seu ambiente e suas possíveis motivações.




É um policial honesto, culto e marido fiel e tranquilo. Personalidade um pouco diferente talvez de seu criador. Um dos vários biógrafos de Simenon disse certa vez que escrever era uma distração para o sexo. Segundo o próprio Simenon ele teve em sua vida mais de 10.000 mulheres. Versão contestada por sua esposa - que afirmava que eram aproximadamente 1.200.

Uma pequena passagem de sua vida demonstra um pouco de sua personalidade. Ao completar 70 anos, em 13 de fevereiro de 1973, Simenon mandou que sua secretária inglesa, Joyce Aitken, solicitasse ao consulado belga em Lausanne, na Suíça, onde morava, a susbstituição da palavra "escritor" pela designação "sem profissão" em seu passaporte. Tinha cansado de escrever.

Um pouco antes, em 1966 ganhou o Grand Master Award do Mystery Writers of America.
Seus livros foram várias vezes adaptados para o cinema e para a televisão.

Fica a nossa lembrança.

Abraços criminais,

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Raymond Chandler - Coleção de Chris Vandenbroucke




Raymond Chandler é de fato um dos grandes autores de romances policiais. A análise de suas obras merece um capítulo a parte e é trabalho para mais de um post. Prometo retomar o assunto quando a pesquisa estiver um pouco mais adiantada.

Um dos mais importantes escritores da linha policial denominada "hardboiled" (com detetives mais barra pesada e que transitam bem nos guetos e nas festas da alta sociedade) é o criador de Philip Marlowe, um dos mais famosos detetives da literatura.

Chandler exerce tamanho fascínio que levou nosso amigo belga Chris Vanderbroucke a cultivar uma enorme coleção de sua obra. Segundo a pesquisa de Chris são mais de 1750 diferentes edições (50 delas em português), em mais de 20 diferentes línguas, dos textos de Chandler. E ele já conseguiu quase 1000 delas.

E a obra de Chandler não é tão numerosa: são 7 romances e mais uma série de contos. Mas renderam 15 adaptações para o cinema e quase 50 publicações de estudos sobre ela (sendo 6 biografias).

Chris achou a Livraria do Crime por suas andanças na net. Rapelou nosso estoque de Chandler e foi muito gentil em responder às perguntas da nossa curiosa amiga Bia sobre sua coleção.

Vale a pena conferir a entrevista. O que ele acha de Chandler? "Simplesmente, o melhor. Os livros de Raymond Chandler são obras-primas atemporais e influenciaram a maioria dos escritores contemporâneos."

E quem vai discordar?

Abraços criminais,

domingo, novembro 26, 2006

Jack, o estripador



Jack, the ripper, o mais famoso serial killer de todos os tempos. Já há 118 anos. Os crimes são reais, mas se configuram quase como ficção. Afinal são tantas teorias, livros, filmes, investigações, sondagens e especulações para descobrir a verdadeira identidade do assassino que começo a pensar que qualquer uma delas vale. Não passam de versões, leituras, da realidade.

Mais de 200 pessoas estiveram sob suspeita de ser o assassino. Os nomes vão do escritor Lewis Carroll, autor de "Alice no País das Maravilhas", ao obstetra da família real.

O assunto voltou novamente à tona com a divulgação de um suposto retrado falado de Jack. "Com a ajuda de programas de computador e outras tecnologias de ponta, um ex-chefe da Scotland Yard conseguiu montar um retrato falado de Jack, o Estripador, o mais conhecido serial killer do século 19. De acordo com o jornal britânico The Independent, John Grieve, que já esteve à frente da divisão de homicídios, analisou as transcrições dos relatos de 13 pessoas que disseram ter visto o assassino para montar o retrato. O resultado mostra o assassino como um homem baixo, de cabelo e bigode negros, rosto magro e idade entre 25 e 35 anos." (O Estado de São Paulo, 21/11/2006)

Antes disso, a última repercussão do caso foi com o lançamento do livro Retrato de um Assassino, de Patricia Cornwell. Ela investiu quase US$ 4 milhões para montar um equipe e dissecar o caso, bem ao estilo Kay Scarpetta, a médica-legista que protagoniza seus romances, quase todos com a presença de serial-killers. Cornwell diz ter encerrado o caso, apontando o pintor Walter Sickert como autor dos crimes.

No cinema, a última aparição foi em A Verdadeira História de Jack, o Estripador (From Hell, 2001) com Johny Deep e Heather Graham. Outra versão, mais uma ficção.

Alías, o filme é na verdade inspirado nos gibis "Do inferno" da premiada dupla Allan Moore (roteirista) e Eddie Campbell (ilustrador) que também aborda os assassinatos de Whitechapel.

    

A divulgação do retrato falado, apesar de não descartar a teoria de Cornwell, coloca mais lenha na fogueira.

"Muita gente acredita que a tese de Patricia Cornwell encerra o assunto. Tenho dúvidas, não creio que seja "a closed case", como ela afirma, e não me surpreenderei se outras teses, também aparentemente verdadeiras, surgirem no futuro." Rubem Fonseca, em um artigo JACK, O ESTRIPADOR disponível em Portal Literal.

Quer mais algumas pistas? O que acha de visitar Londres e fazer uma visita guiada pelos locais dos crimes. Dentre as várias opções deste tipo de passeio, dêem uma olhada no Jack The Ripper Tour, quem sabe você não volta com mais uma versão...

Abraços criminais,

sábado, novembro 18, 2006

Agatha Christie Mailing List




Taí uma grande dica para os fãs de Agatha Christie. E para os fãs de mistérios em geral: O Agatha Christie Mailing List.

Começou como um grupo de discussão (ainda é um grupo de discussão do Yahoo), mas acabou virando um pouco mais do que isso. Além das discussões sobre os diversos livros da Dama do Crime, os participantes desenvolvem outros projetos bem interessantes. Daí saiu até um romance, no estilo "várias mãos" de A Morte do Almirante: "A Sombra da Verdade".

E mais: alguns contos escritos também a várias mãos - e cabeças, afinal não me lembro de mãos escrevendo sozinhas... Opa lembrei, na Família Addams tinha uma, O Coisa, mas aí já é outra história. E ainda um pequeno concurso de contos e interessantes cartas do século XVIII. Fora os projetos que permanecem no papel esperando por mais mãos, e cabeças, e pescoços, e pernas, e braços inteiros para transformá-los.

Vale a pena uma visita. Eu já me cadastrei. Vamos ver o que rola...

Abraços Criminais,

sábado, outubro 07, 2006

Cúmplices pelo Mundo

A Livraria do Crime é a única livraria especializada em literatura policial do Brasil e da América Latina.

Ok, mas não estamos sozinhos neste mundo. Nunca estamos sozinhos, em lugar nenhum. Se não tiver alguém com vc, certamente há alguém pensando em vc.

Então, em primeira mão, selecionamos algumas "Livrarias do Crime" espalhadas pelo globo. São sites que capricham no visual e no conteúdo. Grande oportunidade para os mais curiosos acompanharem as novidades que rolam por outras bandas.

Na Espanha, em Barcelona, encontramos a Negra Y Criminal. A livraria é ponto de encontro dos aficionados em novela negra a parada obrigatória dos principais autores europeus do gênero. Além disso eles capricham no visual do site.

Na Itália, os famosos Libri Gialli viraram verdadeira referência cultural. São dezenas e dezenas de coleções, filmes e séries de TV. Sucesso absoluto de público. E não poderiam faltar livrarias especializadas no tema. O site Libri Gialli, é um dos nossos favoritos.

Na França, de cada 5 livros vendidos, 1 é policial, ou polar, como eles os denominam por lá. Vejam o site da Black Zone e bom divertimento!

Na Alemanha, a Krimi-Couch. Para quem entende o alemão (o que não é o meu caso), boa pedida. Na lista dos Dez + Autores da livraria, sete deles você encontra também na Livraria do Crime.

Na Irlanda, um país envolto em tumultos e conflitos religiosos também tem espaço para a ficção. Descobrimos a No Alibs, em Belfast. O site não pode ser chamado de moderno, mas vale por seu conteúdo.

Na Inglaterra, terra de Agatha Christie, Murder One, de Londres.

Por último, os EUA, que dispensam comentários. Os caras são os que mais produzem e os que mais consomem literatura policial no mundo. Dentre as dezenas de livrarias do gênero, destaque para a Poisoned Pen e Murder By The Book.

Estas são as livrarias que estão na net. Existem centenas de outras espalhadas pelo mundo, mas que, por enquanto, funcionam somente com a loja física.

Se faltou alguma, não hesitem em nos informar.

Abraços Criminais.

sábado, setembro 30, 2006

Eleições 2006

Amanhã definiremos os caras que estarão no comando do país (pelo menos teoricamente) nos próximos quatro anos. Não que isso vá mudar o ritmo de nossas vidas, alterar a nossa rotina. Mas não deixa de ser um momento de reflexão, de renovação, de dar mais um passo importante na construção do regime democrático no país. Tudo muito bonito, emocionante até.

Aí vem a realidade! Difícil mesmo tá encontrar os candidatos. Com todo mundo que converso, não vi ninguém que bata no peito com absoluta convicção da escolha que fez ou fará. Ô sinuca de bico!

Então, por que não apelar para uma lista ideal vinda, de preferência, das páginas da ficção policial? Para não cair na mesmice e trocar seis por meia dúzia, vamos deixar os bandidos e vilões de lado e se concentrar somente nos detetives:

Deputado Estadual: Salvo Moltalbano

Um cara novo, com energia e determinação para propor e implementar as mudanças necessárias ao país. Absolutamente incorruptível, demonstrou em inúmeras oportunidades os valores que esperamos de nossos representantes.

Deputado Federal: Columbo (emprestado da série de TV)

Experiente, de caráter inabalável, não deixa uma pergunta sem resposta. Com sua grande habilidade de persuasão, será fundamental principalmente nos trabalhos de bastidores do congresso, convencendo as bases a votar as matérias importantes para o crescimento da nação.

Senador: Nero Wolfe

Ok, os índices de faltas serão os maiores já registrados na história do senado. Mas pelo menos teremos a certeza que as verbas com assessores serão bem empregadas. Nada de nepotismo. Archie Goodwin será fiel as posições de Nero Wolfe e as defenderá com todas as suas forças.

Governadora: Miss Marple

Segura, de fala mansa, incisiva nas horas certas, sem papas nas línguas. Seu senso natural de justiça e o grande respeito conquistado junto às forças policiais farão dela uma grande combatente do crime organizado no estado.

Presidente: Auguste Dupin

Inteligência acima da média. Grande poder de observação. Nada e ninguém passa incólume às suas deduções e racionalizações. Definirá as prioridades e encontrará as soluções para o "enigma" do crescimento econômico.

Seria bom demais, não seria? Sorte nossa que eles estarão sempre por aqui.

Abraços criminais,