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segunda-feira, abril 02, 2007

Desumano



Olívia é uma moça jovem. Estudante de Letras da USP e escritora de um blog de grande audiência, o forsit. Representante da nova geração de escritores.

Talento que, para nossa sorte, escolheu trilhar suas primeiras letras impressas pela literatura policial.

No seu livro de estréia, Desumano, o protagonista é Márcio. Também jovem e estudante da USP. Mas, com um talento um pouco diferente das letras.

Na trama ele deve descobrir quem foi que matou sua mãe e por que. Só que antes vai ter que provar que não foi ele mesmo. Na fuga, driblando o cerco da polícia, ele conta com a ajuda de Luisa, uma moça curiosa e simpática prostituta.

Destaque para a Vila Madalena, bairro de classe média de São Paulo que acaba se transformando em uma espécie de personagem da trama. Seus charmosos e às vezes sinistros becos e ladeiras escondem segredos cuja revelação poderá custar caro.

O final não chega a surpreender, mas tem um impacto, no mínimo, perturbador. E isso já vale a investida.

Um conto que virou livro e que talvez renda até um segundo capítulo...

Abraços criminais,

sábado, fevereiro 24, 2007

O Crime mais Cruel



O livro de Miriam Mambrini é mais um lançamento da literatura policial brasileira em 2006. O primeiro da coleção "Elementar, meu caro leitor", da Editora Bom Texto. Coleção que terá inclusive meu amigo Júlio César Corrêa, com "Crimes e Perversões", na próxima edição.

Não é exatamente um policial clássico. Está mais para um suspense psicológico. Se é em situações extremas que a natureza humana se manifesta na sua forma mais pura, então aqui a gente percebe como ela pode ser mesquinha, frustrada, egoísta e arrogante.

Um tio que vê no sequestro do sobrinho a grande oportunidade para sua falta de criatividade em escrever um livro policial.
Uma mãe que durante o sequestro consegue arrumar tempo para um romancezinho.
Uma empregada doméstica que está mais preocupada em culpar sua companheira de trabalho na casa do que com a própria integridade da criança.
Uma irmã ciumenta que a última coisa em que pensa é na saúde do irmão.
Um pai que parece mais querer aperfeiçoar seu poder de negociação e testar sua performance em situações de pressão.
Parentes e amigos que estão mais interessados nas notícias fresquinhas sobre o sequestro do que com o sequestro em si.
E ainda uma ex-mulher que durante o sequestro vem com a seguinte pérola: "Lembre-se que o valor do resgate já será parte da herança do garoto, portanto o mesmo montante deverá ser transferido para os seus dois outros filhos".

Toda uma série de pequenos crimes - delitos de personalidade. Que estavam sempre ali, presentes, uns mais adormecidos do que outros, só esperando uma oportunidade para virem à tona.

Vieram e não vão embora tão cedo.

Abraços criminais,


Off-Topic:

Cabe sospechar que ciertos críticos niegan al género policial la jerarquía que le corresponde solamente porque le falta el prestigio del tedio. (...) Ello se debe, quizá, a un inconfesado juicio puritano: considerar que un acto puramente agradable no puede ser meritorio.

JORGE LUIS BORGES y ADOLFO BIOY CASARES

domingo, fevereiro 11, 2007

O Paradoxo Grego




O Paradoxo Grego é sem dúvida um dos grandes lançamentos de 2006. O livro pode ser classificado como um thriller de suspense. Brasileiro e de primeira linha.

Depois de "O mercador de Café" e "No Rastro de Chet Baker", voltamos a Amsterdã. Mas agora as questões que se colocam são a ética e o prolongamento da vida. O que aconteceria se de uma hora pra outra a expectativa de vida da população pulasse para 150 anos?

Com certeza muita grana iria mudar de mãos. E numa ponta, sem dúvida, estariam os inventores do elixir da juventude. Mas não antes de algumas mortes e puxadas de tapete.

Andrew Gritti, cientista americano especializado em pesquisas de anti-envelhecimento é convidado por um amigo a conhecer novas descobertas em sua área de pesquisa. Quando chega a Amsterdã, seu amigo está morto.

Gritti, que não é exatamente um exemplo de ética, se vê envolvido em uma grande cilada. Ao mesmo tempo encara a grande oportunidade de sua vida. E ele não está disposto a deixar tudo de lado e sair de Amsterdã com as mãos abanando.

No meio da trama, personagens bem interessantes: dois detetives holandeses fãs de romances policiais, algumas femme-fatales, um pastor, uma blogueira brasileira e muito, muito, cupuaçú.

Jeff Chandley (é brasileiro, apesar do nome estrangeiro) constrói bem os cenários e os personagens. Percebe-se um intenso trabalho de pesquisa para o desenvolvimento da obra. Aborda um assunto um tanto polêmico e consegue fazer um balanço interessante entre Ciência e Religião, talvez com uma tendência um pouco exagerada para esta última. Mas nada que faça com que a obra perca seu viés de suspense e surpresa.

Que 2007 traga obras tão boas como esta de Chandley.

Notas do livreiro:

1. O autor em duas oportunidades cita o filme Cocoon (Cocoon, 1985), onde um grupo de idosos encontra na piscina do asilo a fonte da juventude. Bom filme, que assisti alguma vezes na sessão da tarde.

2. Outro filme citado pelo autor é "O Inimigo de Estado" (Enemy of the State, 1998) em que Gene Hackman é um advogado implacavelmente perseguido pelo governo americano.

3. O livro tem até site oficial: www.oparadoxogrego.com.br. Vale a pena uma visita.

Abraços criminais,